terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Reflexões sobre "A consciência de sua missão"

Perguntar-se frequentemente "O que cada um de nós está fazendo neste planeta?" é, no meu entender, algo imprescindível a quem almeje tornar-se um verdadeiro ser humano. E como perguntas adequadas levam a novos questionamentos, imediatamente surge uma nova pergunta: "Qual é a finalidade de nossa vinda ao planeta Terra?" Segundo Roberto Shinyashiki, "os motivos básicos de nossa vinda a este planeta são evoluir espiritualmente e aprender a amar melhor".
Concordo plenamente com Shinyashiki e sua opinião está em conformidade com o pensamento do teólogo, filósofo e paleontólogo francês Pierre Teilhard de Chardin, quando este diz que “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”. Portanto, evoluir espiritualmente é o que há de mais natural para os habitantes deste planeta, embora, infelizmente, a maioria não demonstre interesse em tal evolução.
Como seres espirituais vivendo uma experiência humana, recebemos um corpo temporário para usá-lo enquanto estivermos nesta dimensão na condição de aprendizes das coisas do espírito, este sim eterno. Portanto, cuidar do corpo é imprescindível para evitar que ele pereça prematuramente e interrompa a possibilidade de evolução espiritual. Mas daí à exagerada atenção dada ao culto do que é temporário (o corpo) em detrimento da evolução do que é eterno (o espírito) vai uma grande diferença, pois, sendo seres espirituais, a finalidade da vida não é criar corpos perfeitos, e sim espíritos perfeitos.
"Ninguém veio a esta vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor. Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida, mas não pode ser a razão da vida", diz Roberto Shinyashiki, e me faz lembrar uma frase bíblica: "O sábado foi feito para o homem; e não o homem para o sábado". Entenda-se o sábado como o dia do descanso. "Todos os nossos bens na verdade não são nossos. Somos apenas as nossas almas.", é mais uma afirmação de Shinyashiki. Sim, se todos os nossos bens fossem, realmente, nossos, nós os levaríamos ao partir deste mundo, mas dele o que levamos é a nossa alma. Levamos outras coisas? Sim, e sobre elas falarei a seguir, mas sendo seres espirituais nada do que levamos é material.
"Infelizmente, muita gente se perde nesta viagem e distorce o sentido de sua existência pensando que acumular bens materiais é o objetivo da vida. E quando chega ao final do caminho percebe que só vai poder levar daqui o bem que fez às pessoas", diz Shinyashiki. Há um antigo ditado bastante popular que diz algo parecido, porém mais abrangente. Vocês já ouviram dizer que "o que se leva desta vida é a vida que se leva"? Ou seja, o que se leva é o resultado de nossas ações: o bem que por ventura fizemos e o mal que por desventura causamos. Mas, infelizmente, a tendência a deturpar tudo o que presta nos leva a interpretar tal ditado da seguinte forma: vamos cair na gandaia, pois a qualquer momento pode-se morrer e deixar esta vida sem tê-la aproveitado.
Mais uma interpretação equivocada! O que significa aproveitar a vida? Depende. Depende de como nos vemos. Seres humanos vivendo uma experiência espiritual ou seres espirituais vivendo uma experiência humana? No primeiro caso, aproveitar a vida significa "aproveitar todas as oportunidades que ela nos dá para nos aprimorarmos como pessoas" e evoluir espiritualmente. No segundo, significa cair na gandaia e fazer um "monte" de coisas das quais nos arrependeremos quando tivermos consciência do que, realmente, seja aproveitar a vida que recebemos.
Roberto Shinyashiki diz que um dos motivos básicos para a nossa vinda a este planeta é "aprender a amar melhor". E diz também que "quando você tem a consciência de que através do seu trabalho você está realizando a sua missão, você desenvolve uma força extra, capaz de levá-lo ao cume da montanha mais alta do planeta". Foi com essa consciência e com disposição para aprender a amar melhor que "Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, Betinho e tantas outras pessoas anônimas, lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres," e não para acumular bens que retidos em suas mãos contribuiriam, exatamente, para um efeito contrário: piorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres. "O que move essas pessoas generosas a viver dessa forma? A resposta é uma só: a consciência de sua missão nesta vida".
"Escute a sua alma: ela tem a orientação sobre qual caminho seguir. Tudo na vida é um convite para o avanço e a conquista de valores na harmonia e na glória do bem.” É com essas palavras que Roberto Shinyashiki encerra o seu maravilhoso texto e me leva a última reflexão apresentada nesta postagem. Será que a tagarelice que tomou conta desta civilização na qual a maioria deseja apenas falar e não tem a mínima disposição para ouvir impede que as pessoas "escutem a sua alma e aceitem os convites para o avanço e a conquista de valores na harmonia e na glória do bem"? Qual é a opinião de vocês?
"Se você tem estado angustiado sem motivo aparente está aí um aviso para parar e refletir sobre o seu estilo de vida.", é a frase de Shinyashiki com a qual termino estas reflexões. Reflita sobre ela.

2 comentários:

Anselmo Marinho disse...

Olá Guedes!

Há quanto tempo! Bem, mais um sábio texto postado para apreciação.

Particularmente estou bem resolvido quanto à isso, tenho total convicção de que estamos aqui para aprender, então acredito na digamos "teoria da oportunidade", onde todos nós temos uma para nos desenvolver espiritualmente. Desafortunadamente existem os que não tem a mesma consciência, mas esta é outra razão para os conscientes estarem aqui, ou seja, ajudar a tornar conscientes os inconscientes.

Até mais...

Anselmo

Guedes disse...

Olá Anselmo!

Sim, há quanto tempo!

É uma enorme satisfação receber mais um comentário que acrescente algo bastante interessante ao texto!

Sim, todos têm oportunidades de desenvolvimento espiritual, mas nem todos têm a consciência da necessidade de tal desenvolvimento. E é aí que, como você diz, cabe a quem tiver tal consciência ajudar aos que não a tiverem. É a verdadeira aplicação do “Programa do Senhor” (http://espalhandoideias.blogspot.com/2011/07/o-programa-do-senhor.html): Aquele que tiver um dom deve usá-lo em prol dos que não o tiverem.

Até mais...

Um abraço,
Guedes